Operação revela esquema nacional do golpe do ''falso advogado'' com faturamento de até R$ 200 mil por dia

Ação batizada de "Fake Adv" cumpriu 26 mandados judiciais em sete estados; polícia aponta Goiânia como centro financeiro do grupo e Brasília como núcleo operacional das fraudes.

Operação revela esquema nacional do golpe do ''falso advogado'' com faturamento de até R$ 200 mil por dia
Foto: Polícia Civil de São Paulo

Uma operação policial deflagrada na última segunda-feira (29) desarticulou uma organização criminosa especializada no chamado "golpe do falso advogado", que enganava vítimas em diferentes estados do país com a promessa de liberação de valores judiciais. Batizada de "Fake Adv", a ação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (Deic/D9) de Piracicaba (SP), com apoio da Polícia Civil de Goiás, e resultou no cumprimento de 26 ordens judiciais, sendo 12 delas em território goiano.

Segundo a investigação, o esquema chegava a movimentar cerca de R$ 200 mil por dia. A organização era dividida em núcleos com funções específicas espalhados pelo país: um núcleo operacional, baseado no Distrito Federal, era responsável por acessar indevidamente o sistema e-SAJ do Poder Judiciário e criar e-mails falsos usados para dar credibilidade ao golpe; já o núcleo financeiro, sediado em Goiânia e na região metropolitana, ficava encarregado de centralizar e sacar em espécie os valores obtidos com as fraudes, geralmente em casas lotéricas. Outros integrantes ligados à execução dos golpes atuavam ainda na Bahia, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Norte e no Maranhão.

Para dificultar o rastreamento do dinheiro, o grupo utilizava as chamadas "contas de passagem" — contas bancárias em diferentes estados por onde os valores circulavam antes de chegar aos operadores responsáveis pelos saques em Goiânia. Em Goiás, os mandados foram cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Abadia de Goiás, Trindade e Jataí, com apreensão de documentos, celulares e outros dispositivos eletrônicos que agora passam por perícia técnica e financeira para identificar novos suspeitos.

Como funciona o golpe

De acordo com as apurações policiais, os criminosos obtêm informações de processos judiciais reais e entram em contato com as vítimas se passando por advogados ou assessores jurídicos. Eles informam que há valores liberados na Justiça, mas exigem o pagamento prévio de supostas taxas ou impostos para a liberação do dinheiro. Para dar aparência de legitimidade à fraude, o grupo chega a enviar documentos falsificados, como alvarás e decisões judiciais, além de usar dados verdadeiros dos processos das vítimas. Ligações e mensagens são feitas com frequência para criar senso de urgência, levando a vítima a acreditar que o pagamento imediato é condição para a conclusão do processo.

A polícia recomenda que, diante de qualquer contato desse tipo, a pessoa busque confirmação diretamente com o advogado responsável pelo caso, por telefone fixo ou pessoalmente, antes de realizar qualquer pagamento ou repasse de valores.

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