Virose na melancia persiste em Uruana, Goiás: oferta recua no campo e preços registram forte alta

Produtores da região precisam gradear plantações afetadas pela doença, o que reduz a disponibilidade da fruta e provoca oscilações bruscas nos preços ao longo das últimas semanas.

Virose na melancia persiste em Uruana, Goiás: oferta recua no campo e preços registram forte alta
Foto: Reprodução

Uruana (GO) — Um dos principais polos de produção de melancia do Centro-Oeste, o município de Uruana, em Goiás, vive semanas de instabilidade por causa de um problema fitossanitário recorrente: a virose nas lavouras. A doença tem forçado produtores a destruir áreas plantadas — prática conhecida como "gradear" a lavoura — para conter a disseminação, o que reduz a oferta da fruta e gera reflexos diretos nos preços pagos no campo e no atacado.

Segundo dados do Hortifrúti/Cepea, divulgados ao longo de junho e início de julho, a combinação entre a queda na disponibilidade causada pela virose e as variações na demanda dos grandes centros consumidores do Sul e Sudeste tem resultado em uma montanha-russa de preços para a melancia graúda (acima de 12 kg) produzida na região.

Perdas em campo pressionam os rendimentos dos produtores

Na semana de 15 a 19 de junho, a persistência dos problemas com virose levou produtores a optarem por gradear suas áreas, condição que limitou a disponibilidade da fruta. Com a demanda enfraquecida pelo clima frio nos estados consumidores, mas a oferta mais restrita, os preços reagiram: a melancia graúda foi negociada a R$ 0,93 por quilo no campo, alta de 22,20% em relação à semana anterior. Na Ceagesp, o comportamento foi parecido, com a fruta comercializada a R$ 2,26 por quilo, valorização de 11% frente à semana anterior.

Apesar da recuperação nos preços, o boletim do Cepea alerta que as perdas em campo também precisam ser consideradas, já que tendem a pressionar os rendimentos dos produtores da região — ou seja, mesmo vendendo mais caro, os agricultores colhem menos, o que compromete o resultado final da safra.

Preços caem mesmo com oferta ainda controlada

Já na semana seguinte, de 22 a 26 de junho, o cenário se inverteu: mesmo com a oferta controlada, os preços da melancia graúda em Uruana caíram, muito em razão da baixa procura provocada por temperaturas mais baixas e chuvas nos centros consumidores do Sul e Sudeste. A cotação recuou para R$ 0,63 por quilo, valor 32,42% inferior ao da semana anterior.

Sobre a qualidade da produção, o relatório aponta que os casos de virose nas lavouras goianas diminuíram, mas os impactos ainda persistiam naquele momento, dificultando uma recuperação mais consistente das cotações.

Início de julho tem nova disparada nos preços

A virada do mês trouxe outra reviravolta. Entre 29 de junho e 3 de julho, mesmo com a demanda ainda baixa — reflexo do menor poder de compra dos consumidores no início do mês —, a oferta mais restrita voltou a pressionar as cotações para cima em Uruana. Colaboradores ouvidos pelo Cepea confirmaram que essa disponibilidade contida da fruta segue associada aos casos de virose registrados em Goiás, com a pressão fitossanitária ampliando a área de lavouras gradeadas no estado.

O resultado foi um salto expressivo: a melancia de maior calibre foi cotada a R$ 1,51 por quilo, mais do que o dobro do valor da semana anterior. Na Ceagesp, o movimento também foi de alta, com aumento de 31,52%, levando a comercialização a R$ 3,03 por quilo.

Dificuldade dos agricultores

Os boletins consecutivos do Cepea mostram um cenário desafiador para os melancicultores de Uruana. Além de conviver com a incerteza sanitária — que obriga o descarte de plantios inteiros —, os produtores enfrentam preços que oscilam de forma abrupta de uma semana para outra, dificultando o planejamento da safra e a previsibilidade de receita. Some-se a isso a sensibilidade da demanda ao clima nas regiões Sul e Sudeste, principais compradoras da fruta: dias mais frios ou chuvosos reduzem o consumo e derrubam as cotações, mesmo quando a oferta já está reduzida pela doença.

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Para as próximas semanas, a expectativa dos agentes consultados pelo Cepea é de que a oferta em Goiás continue controlada em razão da virose, enquanto a demanda deve seguir sensível a fatores sazonais, como o poder de compra no início e no fim de cada mês e as condições climáticas nos centros consumidores — um quadro que mantém os produtores da região em alerta constante.

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