Nova regra do frete evita greve, mas ameaça encarecer produtos

O aumento do frete será repassado ao longo da cadeia de distribuição e logística. "A imposição de um preço mínimo pode levar ao aumento dos custos, elevando os preços de produtos ao consumidor final", avalia Adenauer Rockenmeyer.

Nova regra do frete evita greve, mas ameaça encarecer produtos
Foto: Divulgação/Pedro Ladeira/Folhapress

A nova medida provisória do governo que endurece a cobrança do piso mínimo do frete rodoviário e ajudou a coibir as ameaças de greve dos motoristas em meio ao aumento do preço do diesel nos postos pode encarecer o preço final dos produtos para os consumidores.

O que aconteceu

O aumento do frete será repassado ao longo da cadeia de distribuição e logística. "A imposição de um preço mínimo pode levar ao aumento dos custos, elevando os preços de produtos ao consumidor final", avalia Adenauer Rockenmeyer, conselheiro do Corecon-SP (Conselho Regional de Economia de São Paulo).

A manutenção do lucro do caminhoneiro onera diretamente o comprador. "Se o caminhoneiro não vai ter uma margem de lucro inferior, o consumidor vai ter o repasse com o valor adicionado dos custos", afirma Hélder França, professor do NEPAT (Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançados em Tributação) da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

A indústria critica a atuação do governo e aponta prejuízo à competitividade do país. Roberto Muniz, diretor da CNI (Confederação Nacional da Indústria), diz que o combustível representa até 40% dos custos logísticos. "Aumentos abruptos encarecem o frete, elevam o custo dos insumos e os preços finais", completa.

O governo federal estima um impacto baixo sobre a inflação geral. A projeção oficial aponta que, mesmo com o petróleo a US$ 100, a inflação acumulada do ano subiria apenas 0,58 ponto percentual, indo de 3,6% para 4,18%.

Entenda a medida

A MP (Medida Provisória) 1.343 prevê punição para quem não pagar o valor mínimo aos caminhoneiros. O texto aumenta a fiscalização sobre empresas contratantes de transporte rodoviário de cargas para garantir o cumprimento das regras.

A ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) define os valores do frete. A agência ajusta a tabela sempre que o preço do diesel varia mais de 5%, para cima ou para baixo.

O descumprimento das regras gera multas de até R$ 10 milhões. A falta do código identificador da viagem gera multa inicial de R$ 10.500. Reincidentes podem perder o registro de atuação por até dois anos.

Leia também

Iniciativas inibiram a ameaça de greve dos caminhoneiros. Diante das medidas, uma assembleia convocada para a noite de ontem no Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista) definiu que a categoria vai aguardar uma semana para avaliar os efeitos das investidas e negociações com o governo.

Fim da ameaça de greve

As iniciativas inibiram a ameaça de paralisação da categoria. O Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista) decidiu aguardar uma semana para avaliar os efeitos da medida antes de cruzar os braços.

A Medida Provisória atende a um pedido [que fazemos] desde 2018. É o início de um sonho, porque o cumprimento do piso mínimo é de extrema importância para a sobrevivência do caminhoneiro. Quando o diesel aumenta, o frete tem que subir, automaticamente.
Luciano Santos, presidente do Sindicam

O governo também atuou para reduzir o preço do diesel nos postos. Antes da MP, o Planalto zerou impostos federais sobre o combustível e pressionou os estados a reduzirem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

 

Siga no instagram @jornalvalleonline, ou clique aqui para ficar por dentro de tudo!

 

*Com informações Uol Economia.